O sacramento da Ordem

1 - Como se sabe, do sacramento da Ordem nasce o sacerdócio ministerial ordenado (dos diáconos, dos presbíteros e dos bispos), em três graus hierárquicos distintos, mas convergentes todos eles para o serviço da mesma realidade eclesial: a santificação dos homens e a glorificação de Deus. Devemos insistir: esse sacerdócio é, na  verdade, ministerial, missão que o Senhor confiou aos pastores de seu povo como verdadeiro serviço (cf. LG nº 24).

2 - O serviço eclesial do ministro ordenado é exercido “in persona Christi Capitis”, isto é, na pessoa de Cristo-Cabeça, porque, na verdade, ele faz as vezes  do próprio Cristo Jesus, num serviço totalmente voltado para o povo, a comunidade eclesial. Além disso, a tarefa do sacerdócio ministerial não é somente representar Cristo diante da assembleia dos fiéis. Na verdade, ele age também em nome de toda a Igreja quando apresenta a Deus a oração da Igreja (cf. SC 33) e, principalmente, quando oferece o sacrifício eucarístico (cf. LG nº 10).  
 

3 - O sacerdócio ministerial ordenado é diferente do sacerdócio comum, de que participam todos os fiéis. E diferente não só em essência, mas também em grau. É sabido que todo cristão participa do sacerdócio de Cristo, pelo Batismo, como se viu nas considerações sobre esse sacramento. Todos então, pelo Batismo, formam a Igreja, Corpo Místico de Cristo, como membros também uns dos outros (cf. Rm 12,5) e na diversidade de funções e de ministérios (cf. 1Cor 12,5).

4 - Como sabemos, do sacerdócio comum, da comunidade eclesial, Deus chama alguns para exercerem um sacerdócio mais pleno, a serviço dos irmãos. Assim como Cristo chamou, uniu e congregou os doze apóstolos. Os ministros ordenados passam então, na Igreja, a representarem mais diretamente o próprio Cristo, na verdade o único e eterno sacerdote, mediador entre Deus e os homens. A dignidade, porém, do ministério ordenado não está na recepção do sacramento da Ordem, como  podem muitos pensar, mas tem a origem comum na de todos os cristãos, ou seja, na fé nascida pela inserção batismal, como membros da Igreja. O sacerdócio ministerial ordenado é, pois, verdadeiro serviço que os ministros consagrados devem prestar ao povo de Deus. Sintetizando diríamos que a simples função na Igreja, por mais nobre que seja, também com relação aos leigos,  não é razão para se conceber uma dignidade cristã em grau mais pleno, mas sim uma responsabilidade maior. Santo Agostinho se referiu a isso, ao falar de si mesmo como bispo, no  texto que muitos conhecem: “Aterroriza-me o que sou para vós, consola-me o que sou convosco, pois, para vós, sou bispo; convosco sou cristão...”

5 - Na liturgia do sacramento da Ordem, o ponto alto é a imposição das mãos pelo bispo (ministro celebrante) na cabeça do candidato, e a oração consecratória, conferindo-lhe a função diaconal, presbiteral ou episcopal, conforme se trate de ordenação de diácono, de presbítero, ou de sagração de um bispo.

6 - A sagração episcopal confere ao novo bispo o tríplice múnus: de santificar, de ensinar e de reger. Na liturgia, mediante a imposição das mãos e as palavras da sagração é concedida a  graça do Espírito Santo e impresso o caráter sagrado para a sua missão episcopal, fazendo as vezes do Cristo – Mestre, Pastor e Pontífice (cf. LG nº 21b; CD 2b). Assim, o novo bispo é constituído membro do corpo episcopal pela sagração sacramental,  chamado agora a viver sempre mais a comunhão viva com toda a Igreja.  

7 - Na ordenação sacerdotal, um dos momentos muito ricos da liturgia é o da prostração do ordenando. Ele se prostra diante do bispo, dos ministros e da comunidade presente, reconhecendo a sua pequenez diante de tão nobre missão. É uma atitude litúrgica de profunda humildade, a qual deve marcar toda a vida do neosacerdote. Atitude, aliás, que se identifica com o próprio Cristo, despojado de toda a grandeza, a serviço dos homens e da glória do Pai.

8 - Ainda na ordenação dos presbíteros, invoca-se sobre eles o Espírito Santo, e o bispo lhes faz recomendações de natureza cristã e pastoral, como São Paulo costumava fazer a bispos da Igreja primitiva (cf. Tt2,1-5; 1Tm 1,3.18-19; 2Tm 1,6-14; 2,1-3), e como o próprio Cristo costumava exortar os seus apóstolos e discípulos (cf. Mt 10,5-42). Costuma-se também ouvir a própria comunidade do novo sacerdote, para confirmar as suas virtudes e como que para se obter a sua aprovação.

9 - O grau inferior na hierarquia eclesiástica é representada pelos diáconos. Eles são ungidos não para o sacerdócio, mas para o serviço eclesial (cf. LG nº 29). Na sua ordenação, somente o bispo lhes impõe as mãos, significando com o gesto episcopal que os diáconos estão especialmente ligados ao bispo nas tarefas de sua diaconia. É função dos diáconos assistir ao bispo e aos padres nas celebrações litúrgicas, distribuir a comunhão aos fiéis, assistir ao Matrimônio, proclamar o evangelho etc..  

João de Araújo

 

 

 

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