O sacramento da Unção dos Enfermos

1 - Na constelação misericordiosa dos sacramentos, vamos encontrar a Unção dos Enfermos. Como todos os outros sacramentos, este também revela aquela profunda bondade de Deus para com os seus filhos, aquela eterna solicitude de um Pai extremoso.

2 - Esse sacramento, que contém também a unção com o óleo, não é um sacramento, como muitos pensam, só para quem está às portas da morte. Seu objetivo é muito mais restituir a saúde ao doente, se assim for a vontade de Deus, do que propriamente entregar-lhe o doente. Vejam como é forte esta verdade em Tg 5,14-15. Pode o sacramento ser recebido pelo enfermo mais de uma vez no decorrer da mesma enfermidade, quando esta se agravar. As pessoas de idade avançada podem também receber o sacramento, principalmente quando a sua fragilidade se acentua.

3 - O que aqui se diz explica-se também por razões lógicas: o homem não é só matéria, corpo. É sobretudo espírito. Um anjo que se reveste de humanidade. E tudo aquilo, com referência à doença, que os meios ordinários da medicina, que são meios legítimos,  queridos e dados por Deus, não realizam, o sacramento, como  intervenção direta de Deus, pode realizar, intervenção que aqui não deve ser vista e entendida como milagre no sentido próprio do termo.

4 - Mas não pensem também que esse sacramento seria uma espécie de medicamento espiritual. Não. Ele é favor misericordioso de Deus, pura gratuidade do Pai, que não robustece apenas corpos feridos e doentes, mas que sobretudo regenera almas dilaceradas, na dolorosa chaga do pecado.

5 - A existência desse sacramento na Igreja é como que o prolongamento das ações de Cristo junto aos sofredores, curando-lhes toda enfermidade e libertando-os também dos efeitos nocivos do pecado, convertendo-os assim para uma vida nova e mais plena, como vemos em tantas passagens dos evangelhos.

6 - Como todos os sacramentos, a Unção dos Enfermos é uma celebração litúrgica e comunitária, mesmo quando é celebrada para um só enfermo, na família, em hospital e na igreja. Às vezes não percebemos isso e ficamos passivos no ato celebrativo, como se este fosse uma ação somente entre o ministro e o doente. Ministro próprio do sacramento é o presbítero (cf. Tg 5,14), podendo também, é claro, ser ministrado pelo bispo, o qual impõe as mãos sobre o doente, rezando sobre ele na fé da Igreja e fazendo a unção com o óleo consagrado. “A principal graça deste sacramento é uma graça de reconforto, de paz e de coragem para vencer as dificuldades próprias ao estado de enfermidade grave ou à fragilidade da velhice” (cf. CIC nº 1520).

7 - Vemos assim que o sacramento da Unção dos Enfermos, como sacramento de cura, é, pois, um reflexo do mistério do Deus-Doação. Ele pode então suscitar a saúde tanto física quanto espiritual. E no momento da doença, como sacramento, ele tem sobretudo a eficácia de converter mais o homem para o misterioso colóquio com o seu Deus. 

 

João de Araújo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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