Nossa Senhora da Piedade

1. Senhora de tantos títulos, porque repleta de dons, Senhora de tantas invocações, porque jamais negou proteção àqueles que a invocam, esta é Maria, a Mãe da piedade. Certamente de outros tantos títulos ainda será agraciada a Santa Mãe de Deus, mas, saibamos, ela está sempre além de nossas considerações, de nossos louvores e de nossa compreensão.

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2. Ao lado de tantos títulos, este de profunda identificação bíblica: Nossa Senhora da Piedade (ou das Dores). “Quanto a ti, uma espada te traspassará a alma”, diz-lhe Simeão, no Templo de Jerusalém, quando Maria vai apresentar seu Filho, cumprindo a prescrição da lei (cf. Ex 13,2; Lv 12,6; Lc 2,34-35). É o quarto mistério dos mistérios gozosos, como se reza no Terço. Mas - entendamos - na verdade este não é um mistério gozoso, e sim doloroso. Podemos dizer que com ele se inicia a via dolorosa para Maria, seu calvário e sua paixão.

3. O Evangelho nos revela o cumprimento da profecia de Simeão. Vejamos o texto: “Chegando a Jesus e vendo-o já morto, não lhe quebraram as pernas, mas um dos soldados traspassou-lhe o lado com a lança e imediatamente saiu sangue e água” (Jo 19,34). Sim, aí se cumpriu a profecia de Simeão, pois a alma de Jesus já não estava lá, para ser traspassada, mas a de Maria, sim. Também o sofrimento de Maria não foi apenas físico, mas espiritual, um sofrimento da alma, e não apenas do corpo. Com razão, ela é, pois, chamada também de “Rainha dos Mártires”.

4. Senhora das Dores, ao pé da cruz, ou Senhora da Piedade, com o Filho morto no colo, eis a mesma Senhora, a predileta de Deus, a mais repleta do Espírito Santo entre todas as criaturas.

5. Sempre me orgulho de ser gente, de ser humano, e há duas razões para isso: a primeira é por saber que Deus em Jesus Cristo assumiu a minha carne, a minha humanidade, tornando-se semelhante a mim em tudo, exceto no pecado, e tornando-me semelhante a Ele, por pura graça. A segunda, é por saber que Maria, minha Mãe, mais que todos, soube ser humana, soube ser gente, honrando a humanidade com o seu “sim” a Deus. Venerando-a, como nos propõe a Santa Igreja, podemos dizer: Maria é mais esplêndida que a aurora, mais bela que a lua, mais fulgurante que o sol! (cf. Ct 6,10). Sim, Maria é a flor mais linda do jardim de Deus!

João de Araújo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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João de Araújo - Nossa Senhora da Piedade