Diante do crucifixo

crucifixo-2.JPGNão nasceste, Senhor, para viver. Não tinhas o direito à vida e aos seus sonhos de glória. Assim pensaram os homens. E assim decidiram os seus tribunais.

 

Assim, já na infância, perseguiu-te o reino opressor e, levado para o Egito, pelos pais, como que experimentaste o amargor da terra da escravidão.

 

Mas pudeste, Senhor, com tua missão dar culminância à história da salvação. Morreste, é verdade, pois Deus te quis humano e mortal como nós, para que, por tua morte, alcançássemos a imortalidade.

 

Interessante, Senhor, é que tu não morreste simplesmente por amor. Foste mais longe, bem mais longe: tu amaste eternamente para morrer. "Morrer por amor" é uma qualidade ainda humana. "Amar para morrer" pertence ao querer divino. 

 

Agora podemos entender: o sacrifício da cruz não é um sacrifício isolado de tua vida. Ele é, sim, a culminância de toda a tua vida de sacrifícios. Vida que foi de inteira entrega ao Pai. 

  

Estás na cruz, Senhor, mas plenamente vivo e glorificado. Plenamente vivo também está o teu perdão. Tu não trazes simplesmente a paz no coração, como os santos trazem. És a paz. O fulgor de toda paz. Um coração que é todo bondade e misericórdia.

 

No esplendor da luz, és a Luz que desconhece ocaso. A Chama que jamais se apaga. O Sol definitivo de nossos horizontes.

 

E quiseste que fôssemos também luz...

 

Para levarmos às trevas o teu brilho,

 

Para enchermos de esperança os corações desolados,

 

Para construirmos uma  verdadeira civilização de paz,

 

Para fazermos do mundo uma verdadeira cidade de irmãos!

 

Quando ainda estávamos separados do Pai, por um abismo sem fim,

 

Quando ainda éramos escravos do pecado,

 

Tu nos amaste, Senhor, tu nos amaste profundamente!

 

E por nós te imolaste

 

Sem buscar recompensa,

 

Sem pedir nosso aplauso,

 

Sem medir nossas misérias,

 

Mas, na humildade de um Deus, sem dispensar nossas mãos!

 

Agora, já redimidos, sabemos que tu nos amas então muito mais,

 

Pois, se foste capaz de morrer por nós quando ainda éramos trevas, quantas vezes, agora, serias então capaz de morrer?

 

Porque somos agora luzes acesas em tua Luz redentora. Somos em ti sacramentos de redenção!

 

Mas, Senhor, não é preciso que tu morras  outra vez por nós. O sacrifício de um Deus é perene. É verdadeiramente infinito. Conforme nos ensina a revelação, o teu sacrifício é de uma vez por todas.

 

Chegada foi então a tua hora, Senhor. E porque nos associaste ao teu sacrifício, ao teu mistério de amor, ela é a nossa hora também. Seguindo, pois, o teu exemplo e vivendo o teu novo mandamento, possamos também nós morrer por nossos irmãos!

Veja também  o soneto "DIANTE DO CRUCIFIXO" em "Poemas da paz - Quase orações"

João de Araújo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Este site é um pequeno serviço à formação litúrgica de comunidades cristãs.
Seu autor pode esclarecer pequenas dúvidas sobre a Liturgia.
Sinta-se à vontade para entrar em Contato.
João de Araújo - Diante do crucifixo