Estrutura do Ano Litúrgico

PEQUENA INTRODUÇÃO

1 - Chama-se Ano Litúrgico o tempo em que a Igreja celebra todos os feitos salvíficos operados por Deus em Jesus Cristo. É a concretização, no tempo, do projeto amoroso de nosso Deus. "Através do ciclo anual, a Igreja comemora o mistério de Cristo, desde a Encarnação ao dia de Pentecostes e à espera da vinda do Senhor" (NUALC n. 43 e SC n. 102).

2 - Ano Litúrgico é, pois, um tempo repleto de sentido e de simbolismo religioso, de essência pascal, marcando, de maneira solene, o ingresso definitivo de Deus na história humana. É o momento de Deus no tempo, o "kairós" divino na realidade do mundo criado. Tempo, pois, aqui entendido como tempo favorável, "tempo de graça e de salvação", como nos revela o pensamento bíblico (cf. 2Cor 6,2; Is 49,8a).

ESTRUTURA DO ANO LITÚRGICO

3 - O Ano Litúrgico se divide em dois grandes ciclos: Natal e Páscoa. Natal, onde celebramos o mistério da Encarnação do Filho de Deus; e Páscoa, onde celebramos o mistério da Redenção. Na verdade, são duas dimensões de um único mistério: o Mistério Pascal de Cristo. Entre os dois ciclos existe um longo período, chamado Tempo Comum. Neste não celebramos um aspecto do mistério, como Natal e Páscoa, mas celebramos todo o mistério. Podemos dizer que o Tempo Comum é um desabrochar do Natal e da Páscoa, como se verá depois. Cada ciclo do Ano Litúrgico tem três momentos: o preparatório, o da celebração solene e o do prolongamento festivo, como se verá abaixo.


4 - Nos dois ciclos, e mais especialmente no Tempo Comum, encontra-se também o “Santoral”, com suas “solenidades”, “festas” e “memórias”, tudo na referência aos santos, especialmente à santa Mãe de Deus, aos Apóstolos e evangelistas e aos mártires. O “Santoral” é também celebração do Mistério Pascal, onde a glória do Senhor morto e ressuscitado resplandece na vida dos eleitos de Deus, dada a sua vivência na conformidade do Evangelho.

CICLO DO NATAL

5 - Os três momentos do ciclo do Natal são o Advento, que o prepara, a solenidade do Natal, que é sua celebração principal, e o Tempo do Natal, que o prolonga. O Advento é constituído de quatro domingos e se inicia no domingo mais próximo a 30 de novembro, ou nesse dia, quando domingo, na prática caindo, pois, de 27 de novembro a 3 de dezembro. Seu primeiro instante vai do 1° Domingo até o dia 16 de dezembro, já a preparação imediata vai de 17 a 23 de dezembro, que podemos chamar de “Semana Santa do Natal”, embora na prática litúrgica nosso povo não tem a consciência do que aqui se expõe. Esse segundo momento do Advento é, pois, de importância maior na Liturgia.

6 - O 3° Domingo do Advento é chamado “Gaudete”, isto é, “Domingo da alegria”, como acontece também no quarto domingo da Quaresma, chamado “Laetare”. Uma observação: o Tempo do Advento não é tempo de penitência, como entendido antes, mas de moderação, de oração, de sobriedade e de expectativa feliz pela chegada do Reino de Deus, tempo, pois, de viva esperança cristã, daí não ser tão objetiva a cor roxa proposta ainda pelo Missal, que, segundo nos parece, poderia ser o violeta, por exemplo.

7 - A centralidade do ciclo natalino é marcada pela Solenidade do Natal do Senhor, em 25 de dezembro, que não deve ser entendida como data cronológica do nascimento, mas data de comemoração, o que é suficiente para o objetivo da Liturgia. Já o Tempo do Natal constitui o seu prolongamento festivo: o imediato, chamado Oitava do Natal, que vai de 26 dezembro a 1° de janeiro, com seu grau de importância maior, e o tempo seguinte, que se prolonga até a festa do Batismo do Senhor. Além da Solenidade do Natal, temos ainda, no ciclo natalino, a Solenidade da Epifania, ficando aqui esclarecido que a Solenidade da Santa Mãe de Deus, em 1º de janeiro, que encerra a Oitava do Natal, pertence ao “Santoral”.

CICLO DA PÁSCOA

8 - Na mesma estrutura do ciclo do Natal, vejamos os três momentos do ciclo da Páscoa. São eles: a Quaresma, que a prepara; sua celebração principal, que é o solene Tríduo Pascal da Morte e Ressurreição do Senhor; e o Tempo Pascal, como seu prolongamento festivo.

9 - A Quaresma, que se inicia na Quarta-Feira de Cinzas, é constituída de 6 domingos, sendo o sexto já o Domingo da Paixão e de Ramos, quando se encerra seu primeiro momento preparatório e se inicia a Semana Santa, o momento imediato. A Quaresma encerra-se, porém, como vimos, não no Domingo de Ramos, como muitos dizem, mas na Quinta-Feira Santa, antes da missa da Ceia do Senhor, e nessa se inicia o Tríduo Pascal, a celebração maior da Páscoa, que se encerrará, por sua vez, na noite do Domingo da Páscoa.

10 - O Tempo Pascal, como prolongamento festivo de cinquenta dias, terá seu momento imediato com a Oitava da Páscoa, assim como vimos com relação ao Natal, indo do Domingo da Páscoa ao domingo seguinte, e, em prolongamento mais extenso, até Pentecostes. É considerado pelos Santos Padres como um grande domingo, um domingo, pois, com duração de cinquenta dias. Além da celebração principal da Páscoa, que é o Tríduo Pascal, no ciclo pascal temos duas grandes solenidades, a da Ascensão do Senhor e a de Pentecostes, esta encerrando o ciclo e o coroando.

TEMPO COMUM

11 - O Tempo Comum tem uma duração de 33 ou 34 semanas. É o tempo mais longo do Ano Litúrgico. A primeira semana inicia-se na segunda-feira após a Festa do Batismo do Senhor, quando esta é celebrada no domingo, ou então começa na terça-feira, quando a Festa do Batismo é celebrada na segunda-feira, fato que ocorre quando a Solenidade da Epifania é celebrada no domingo que cai no dia 7 ou 8 de janeiro. Na terça-feira de Carnaval o Tempo Comum se interrompe, para dar início à Quaresma, voltando a ser retomado na segunda-feira após a Solenidade de Pentecostes, encerrando-se no sábado após a Solenidade de Cristo Rei do Universo, quando vai então ter início novo ano litúrgico. Podemos dizer que o verde litúrgico do Tempo Comum remete-nos, simbolicamente, às alegrias da vida cristã: após o Natal, como floração das alegrias natalinas; e, após a Páscoa, como floração das alegrias pascais.

João de Araújo

 

 

 

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