A homilia, um acontecimento celebrativo

1 - A palavra homilia significa "entretenimento familiar". Assim, deve ser simples, prática, clara, concisa e objetiva. É uma conversa “doméstica” que o homiliasta trava com a assembleia. Visa colocar em prática aquilo que a Palavra de Deus, principalmente o Evangelho, propôs à assembleia celebrante, por isso não pode ser considerada independente da celebração. É, pois, um acontecimento celebrativo, que faz parte integrante da Liturgia da Palavra.

2 - A homilia é diferente, quanto ao seu gênero, de outras pregações, como a da evangelização e da catequese, embora, em algumas situações, ela deva aparecer também como evangelizadora e catequética, isto acontecendo, por exemplo, quando os fiéis reunidos não se encontram verdadeiramente evangelizados e catequizados.

3 - É a homilia um dos elementos mais antigos da Liturgia da Palavra. Já a encontramos no século segundo, no testemunho de Justino: “Depois, quando o leitor acabou, quem preside exorta e incita por palavras à imitação destas coisas excelsas” (Apologia I, c.67). Como se vê, embora antigo, o texto de Justino é um dos mais claros e simples quanto à finalidade litúrgica da homilia.

4 - É de se esperar, pastoralmente, que a homilia, elaborada como síntese objetiva da Liturgia da Palavra, leve os fiéis à plena participação nos ritos seguintes, com relação à Liturgia Eucarística. Não deve, porém, a participação na celebração da Eucaristia distinguir-se em graus de importância litúrgica nos seus dois momentos. É verdade que a liturgia eucarística é a culminância da celebração, mas não se deve afirmar que a participação no primeiro momento seja menos importante que a no segundo. Às vezes isso se nota em muitas celebrações. Trata-se de participação consciente e viva nos dois momentos, voltada, sim, para a plena eficácia sacramental, tanto do pão da Palavra (mesa do ambão) como do pão eucarístico (mesa do altar), na unidade do memorial celebrado. O homiliasta deve, pois, estar consciente do que aqui se afirma.

5 - Dada a sua ministerialidade litúrgica, a homilia deve fugir de todo subjetivismo, como também eximir-se de toda retórica sem vida. Como elemento celebrativo, ela visa, como vimos no testemunho de Justino, aplicar à vida a mensagem salvífica da palavra divina, em dimensão profética, a fim de que os fiéis vivam sempre da fé professada, uma vez que os mistérios cristãos devem ser normas de vida cristã. Aqui, então, a necessidade de se afirmar a dimensão mistagógica da homilia.


6 - Segundo o Missal Romano, a homilia geralmente é feita pelo presidente e, em missas concelebradas, pode ser feita por outro concelebrante, ou mesmo por um diácono, solicitado no caso pelo presidente. Não deve ser omitida nas missas dominicais e, nas missas feriais com expressiva participação do povo, é sempre aconselhada.

João de Araújo

 

 

 

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