O Hino do Glória

1 - O “Glória” é conhecido também como "Hino Angélico" e "Grande Doxologia". Não é um hino trinitário, como muitos pensam, mas cristológico. Se fosse trinitário, ficaria difícil explicar por que o Espírito Santo é apenas mencionado, quando a pessoa do Pai e a do Filho recebem louvores acentuados na quase totalidade do texto.

2 - Hino não estrófico, antigo, sem uma data certa de composição, mas provavelmente entre os séculos II e IV. Originariamente, foi ele composto para a Liturgia das Horas, só depois entrando para a Liturgia da missa e, ainda inicialmente, em missas papais, admitido depois nas missas primiciais dos sacerdotes e, finalmente, nos domingos, festas e solenidades.

3 - Pelo “Glória”, a Igreja, congregada no Espírito Santo, glorifica e suplica a Deus Pai e ao Cordeiro (IGMR 53). Não acompanha um rito, como os cantos processionais (da Entrada, das Oferendas e da Comunhão), como também o do Cordeiro de Deus, mas é ele o próprio rito. Sendo glorificação e súplica da Igreja, deve ser cantado por todos.

4 - O “Glória” é, pois, um hino angélico, porque se inspira no hino cantado pelos anjos aos pastores, no Natal, e é grande doxologia, sobretudo para os orientais, para distinguir-se da doxologia menor "Glória ao Pai...", que todos conhecem e rezam. Não é cantado no Advento e na Quaresma, mas canta-se solenemente na Quinta-feira Santa e na Vigília Pascal do Sábado Santo, marcando vivamente essas duas celebrações.

5 - O “Glória” inicia-se com o louvor dos anjos, na glorificação de Deus, e na proclamação da paz aos homens de boa vontade. Segue com os nossos louvores ao Pai, com repetições enfáticas de sinônimos, seja de títulos de Deus, seja de nossa atitude de louvor, com verbos indicativos da espiritualidade litúrgica, como louvar, bendizer, adorar, glorificar e dar graças. Também ao Filho se estende o mesmo louvor, com títulos expressivos, chegando a uma litania (“Vós que tirais o pecado do mundo...”) e passando a aclamações jubilosas (“Só vós sois o santo...”) para, finalmente, encerrar-se com uma doxologia, em que se inclui o Espírito Santo.

6 - O texto do “Glória”, trazendo, como vimos, toda a realidade de louvor, de súplica, de aclamações jubilosas, de vibração e de entusiasmo, adapta-se bem aos ritos iniciais, preparando a assembleia para então celebrar com fervor os divinos mistérios de nossa fé. E esta deve ser uma forte razão litúrgica para que o seu texto original não seja substituído, como pede a Instrução Geral sobre o Missal Romano, o que, lamentavelmente, ainda vemos quase sempre. Na verdade, as muitas “versões” que vemos do “Glória” se distanciam sempre mais do seu conteúdo original.

João de Araújo

 

 

 

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