Assembleia litúrgica

PEQUENA DEFINIÇÃO

1 - A assembleia litúrgica não é um grupo qualquer de pessoas reunidas para um determinado objetivo. Ela é o povo de Deus, por ele mesmo convocado, para tornar-se “uma comunidade de fiéis, (Ecclesia) hierarquicamente constituída, legitimamente reunida em certo lugar para uma ação litúrgica e altamente qualificada por uma particular e salutar presença de Cristo”. Por tudo aquilo que dela afirma a Igreja, podemos concluir que a assembleia litúrgica é um “autêntico sacramento de salvação”, ligada como está à própria Liturgia, à Igreja e a Cristo. Portanto, povo de Deus, que, na riqueza de sua diversidade, celebra o memorial da morte e ressurreição do Senhor.


2 - Devemos reconhecer, porém, que, na prática, às vezes, não aparece esse rosto da assembleia cristã, pouco presente também na catequese litúrgica, o que favorece geralmente uma visão míope do povo celebrante. A Liturgia, para suscitar atitudes de oração e comunhão, dá início à celebração eucarística com o canto de entrada, tendo este não só a finalidade de abrir a celebração, mas sobretudo de criar o clima de assembleia orante, introduzindo-a no mistério do tempo litúrgico ou da festa (cf. IGMR n. 47). 

A MOTIVAÇÃO MAIS NOBRE DA ASSEMBLEIA LITÚRGICA

3 - Podemos dizer que o que deve motivar a assembleia litúrgica é, sem dúvida, a dinâmica do amor cristão, pela escuta da Palavra de Deus e pela participação na mesa eucarística, de onde brota a verdadeira comunhão, espelho de partilha das vidas que se doam. Não nos esqueçamos de que a Eucaristia é o “sacramento dos sacramentos” e, na sua riqueza salvífica, tem dupla mesa: a da palavra, onde Cristo se faz primeiramente “Palavra de salvação”, e a do Pão, onde se faz “alimento para a vida eterna”.

4 - A reunião da assembleia cristã que, por si mesma, já conta com a presença de Cristo (cf. Mt 18,20) é, pois, de sentido festivo, convivial, fraterno e solidário. Na sua significação mais profunda, tem também ela dupla dimensão, que é simultânea: vertical, no louvor e  glorificação de Deus, e horizontal, no serviço de santificação dos homens (cf. SC 7b).

5 - Vê-se, pois, que a reunião da assembleia litúrgica deve ser de sentido objetivo, comunitário e eclesial, não portanto subjetivo e personalista, embora se entende que o cristão, na Liturgia, não perde a sua individualidade, as suas marcas pessoais e subjetivas. Aliás, estas devem ser postas a serviço do ato celebrativo, na consciência de que, na Liturgia, o “eu”, psicológico e individual, integra-se ao “nós”, comunitário e litúrgico, não apenas em sentido físico e espacial, mas  espiritual e místico.

6 - Deve-se portanto garantir a dimensão orante e ao mesmo tempo comunitária, pascal e festiva de nossas celebrações, evitando então, ao mesmo tempo,  o sentido intimista, subjetivo e alienante que ainda se vê em muitas delas. A Liturgia, e particularmente a Eucaristia, é para realizar em nós o projeto amoroso de Deus: sermos a Igreja, o corpo místico e escatológico de Cristo, cujos membros, vistos e identificados nos ensinamentos de São Paulo (cf. Ef 4,4-6, 1Cor 10,17; 12,12; Gl 3,28, Cl 3,11),  podemos dizer que são os verdadeiros adoradores do Pai, em espírito e verdade, como revelou Jesus  à samaritana (cf. Jo 4,23).

7 - Por fim podemos dizer que a assembleia litúrgica cristã concretiza, de maneira sacramental, no “hoje” da história salvífica, os objetivos e anseios divinos das grandes assembleias do Antigo Testamento, como a do Sinai, com Moisés (cf. Ex 19-24), ou como a de Siquém, com Josué (cf. Js 24,1-28). Na sublimação, pois, daquelas assembleias, a importância das nossas assembleias cristãs. 

João de Araújo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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João de Araújo - Assembleia litúrgica